04/04/2012

A tradição da colheita da macela


Com a chegada da Páscoa, lembrei de alguns rituais, como a procissão de velas e a colheita de macela, tradicionalmente realizada na Sexta-Feira Santa. Meu pai me acordava cedinho, ainda escuro, tomava seu chimarrão, calçava as botas, vestia casaco, chapéu e íamos colher ramas de macela nas montanhas que cercam a pequena Barão de Cotegipe, no norte do Rio Grande do Sul.

Geralmente a manhã era fria, com neblina e orvalho na grama. Aliás, o orvalho é muito importante, pois a macela deve ser colhida antes de ser banhada pelos raios de sol, assim ela mantém suas propriedades medicinais. Lembro que eram muitas as famílias percorrendo os arbustos em busca da macela. Para as crianças, era uma festa.

Aqueles que não conseguiam encontrar, ou estavam impossibilitados fisicamente de ir procurar, acabavam comprando maços de macela de guris da "reserva" que ofereciam de casa em casa. Meus pais faziam cara feia, pois não sabiam se haviam sido colhidas antes de o sol nascer. Comprar a planta não era politicamente correto.

O tempo passou, cresci, sai de Barão de Cotegipe, meu pai faleceu, mas esta tradição não esqueci. Aproveitei para contar para meus filhos este ritual. Eles adoraram e pensam em passar a próxima Páscoa em Cotegipe para poder fazer a colheita. Aqui em Campinas, onde moro, poucos conhecem a macela. Há alguns anos ganhei da mãe um maço de presente. Como manda a tradição, pendurei-o na cozinha. As visitas ficavam curiosas em saber pra que servia aquela planta e suas propriedades medicinais. Diz a tradição que ela é muito boa no combate à má digestão, cólicas, ao alívio de dores de cabeça e até pode ser usada como enchimento de travesseiros. Lembro que inúmeras vezes tive que tomar o famoso chá, preparado com todo carinho pela mãe. O gosto não era muito bom, mas era um santo remédio.

Devido a religiosidade que envolve a planta e suas propriedades medicinais, a macelinha foi instituída, em 2002, como a planta medicinal símbolo do Estado do Rio Grande do Sul. O nome científico da macela é Achyroclien satureioides, mas também é conhecida como macela-do-campo, macelinha, macela-amarela, camomila-nacional, carrapichinho-de-agulha, marcela, losna-do-mato, macela-do-sertão e chá-de-lagoa.

Para minha surpresa, descobri que a colheita da macela pode estar com seus dias contados. Uma das principais causas é que ao invés de colher os galhos, as pessoas arrancam a planta com a raiz. Outro fator, segundo especialistas gaúchos, é que a macela é apanhada justamente no período de floração, impedindo que o ciclo natural se complete. Conclusão: poderá faltar marcela logo mais. Na minha infância não era muito fácil encontrá-la. Imagine agora.

Mas o Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp, aqui em Campinas, já pensou nisso e deu origem ao primeiro cultivar brasileiro de macelinha. O estudo reconhece que a planta medicinal nativa é muito utilizada para a preparação de chá com propriedades digestivas e antiespasmódicas, entre outras. De acordo com o coordenador do trabalho, o agrônomo Ílio Montanari Júnior, o objetivo foi iniciar o processo de domesticação da espécie, para que ela pudesse ser cultivada de forma comercial.

Muito bom, pois a colheita da macela é uma tradição que não pode acabar. A solução para quem quer manter a tradição é plantar no quintal para não ficar sem na Sexta-feira Santa.

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22/03/2012

O outono, o plátano e o frio


O plátano e seus frutos: o outono marca suas folhas
O outono chegou. Um vento frio e um sol brilhante, com céu bem azul. Imagem típica do outono por estas bandas. Uma época muito bonita. Gosto muito do outono. Aliás, gosto de todas as estações. Cada uma com sua peculiaridade. Mas, o outono lembra muito minha vida em Barão de Cotegipe.

É a natureza avisando que o frio vai chegar forte. O calorão cede lugar a um friozinho que começa à noite e depois vai aumentando, até chegar o rigor do inverno. Aliás, algumas geadas têm chegado já no outono. O outono traz a Páscoa, e com ela a lembrança de acordar cedinho e colher a milagrosa macela nos campos antes que elas sejam banhadas pelos raios do sol. Um ritual sagrado que fazia todos os anos com meu saudoso pai.

Mas, nada marca mais o outono, além da mudança de luminosidade do dia e do friozinho que chega, do que o plátano. Sim o plátano, uma árvore gigante, bonita com uma folha que parece uma mão aberta. É a árvore que enfeita a bandeira do Canadá.  Meu plantou uma dessas às margens do riozinho que corta o fundo da nossa chácara, próximo da CLC. Ela cresceu muito ficou bonita e todos os anos eu via o outono chegar e suas folhas amareladas caírem. Gostava de subir em seus galhos e ficar admirando o horizonte.

Foto de um plátano colhido na internet
Mas, ela foi ficando velha e os galhos caindo com a força das tempestades. Além disso, o rio derrubou parte do barranco e galho pesado caiu. A última lembrança que tenho é que alguém havia invadido a chácara e cortado boa parte do plátano para fazer lenha. Minha ficou uma fera, e com razão. Eu fiquei muito triste, pois mais um pedaço da infância foi cortado. Agora fica só na lembrança.

Acho que já prevendo isso, um dia meu pai me convidou para ir à chácara plantar pinheiros. Fomos lá e enterramos diversos pinhões na divisa com a terra da família Tecla. E não é que os simples pinhões vingaram?? Há dois anos, última vez em que estive por lá, os pinheiros estavam l indos, altos e cheios de pinhões. Agora eles devem estar carregados novamente de sementes. Mais uma lembrança majestosa do meu pai.

Mas é outono, o frio vem pela manhã, depois o sol trata de esquentar e a noite ele volta. Uma época bonita. Muitos acham depressiva. E também não deixa de ser, depende de como você observa o por do sol no final da tarde e a sombra da noite que cai por trás da montanha. Sim, há uma tristeza no ar. E quando ela me acometia, corria, fugia do campo e procurava ficar em meio às pessoas.

Mas é outono. Agora vem o pinhão, a bergamota, a laranja, o friozinho gostoso, a geada, o fogão a lenha a todo vapor, o vinho pra esquentar uma bela noite de lua cheia e geada cobrindo os telhados. Agora tudo muda. E tudo fica bonito.

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12/02/2012

Um épico do cinema: Cine Apolo

Casarão onde ficava o Cine Apolo, em Barão de Cotegipe: cultura via tela do cinema

A construção acima pode parecer para alguns apenas um barracão apodrecendo, mas não foi não. Foi através desse espaço que Cotegipe tomou conhecimento de outros mundos, de outras culturas, numa época em que ainda não existia a televisão. 
Foi nesse barracão que seu Henrique Welker exibiu centenas de filmes para uma platéia empolgada. Sua primeira fita "O Cachorro Ri-tim-tim" (cinema mudo e em preto e branco) foi exibida no dia primeiro de maio de 1935. Já o primeiro filme sonoro "O Tocador de Jazz" foi exibido em 1944.
Mas fortes mesmo eram os filmes de bang bang, de romanos e é claro de Teixeirinha e Mari Terezinha, além de outras produções gaúchas. Também assisti o filme "Submarino Amarelo", com os Beatles.
Aliás, o primeiro filme que assisti no cinema foi "Um dólar Furado". E depois veio o Trinity, Era uma vez o Oeste, e assim por diante. Mas o que mais agradava nas sessões de domingo à noite era a bagunça generalizada no cinema. Lembro do seu Nicolau e seu Gil Branco, esqueci o nome, que tentatavam manter a ordem no grito. "Cambada de Jacu Rabudo", gritava um deles, rsrsrs... Claro, ninguém obedecia. Só mesmo quando seu Henrique acendia as luzes e parava o filme. Ai todo mundo ficava quietinho. 
Quando passou "O Exorcista" teve gente com medo de ir para casa. Filmes de Drácula, então, lá dentro parecia real.
Bons tempos

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30/07/2011

Fui processado. E agora???

PrejuízoR$ 7 mil
Conto com sua colaboração. deposite qualquer quantia: 

Banco do Brasil              
Ag - 1515-6                           
C/C - 107.620-5


Galera que usou e abusou do blog A Grande Barão de Cotegipe
A conta sobrou para  mim. E agora quero dividi-la com vocês. Como a  maioria dos cotegipenses já deve saber, no auge da polêmica criada pelas ações da operação saúde, o blog serviu como um catalisador das emoções e pensamentos de muitos cotegipenses. Foram desabafos que estavam entalados, elogios, defensores, atiradores, xingos e etc. e tal. E nesse tiroteio, um anônimo disparou um tiro de grosso calibre contra uma senhora cotegipense. O tiro passou rasteiro pela minha moderação, bateu na senhora e voltou contra mim com força total. O atirador, por sua vez, sumiu.
Agora terei que pagar uma conta salgada por causa desse atirador. A senhora entrou com um processo contra mim, pedindo 100 salários mínimos de indenização, mais a conta da advogada, o que daria uns R$ 80 mil.
Como não sou empresário, jamais teria condições de pagar. Então chegamos a um acordo. Vou pagar R$ 2 mil para as custas da advogada e mais R$ 2  mil (divido em dez parcelas)  para a Apae de Cotegipe, sem incluir as custas do advogado que tive que contratar para fazer minha defesa. 
Ou seja, é um grande rombo no meu  bolso. 
E é por isso meus caros leitores, que usaram e abusaram do blog, é hora de dar seu retorno. Muitos me pediram para deixar os comentários liberados por medo das ameaças que estavam sofrendo. Aceitei, mas pedindo moderações nos comentários. Não me ouviram. Então vamos ver se houvem agora. Vou precisar da ajuda financeira de vocês, pois o dinheiro que terei que pagar vai faltar e muito na mesa da minha família. Afinal, são quatro filhos que sustento a sangue e suor, com um pequeno salário.

Mais informações sobre o processo leia aqui

Conto com a colaboração de vocês:
Prejuízo estimado: R$ 7 mil
Banco do Brasil              
Ag - 1515-6                           
C/C - 107.620-5

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09/06/2011

O espetáculo do frio




Veja mais fotos do frio em no blog http://www.baraodecotegipe.blogspot.com/

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